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Junho 9, 2008
Koyaanisqatsi – Analise Semiótica
Dirigido por Godfrey Reggio, produzido por Francis Ford Coppola com som de Phillip Glass.
Koyaanisqatsi é um filme documental, o subtítulo do filme é a tradução da palavra que vem do idioma de uma tribo americana; Hopi: “vida em desequilíbrio”, o que permite ao espectador ter uma vaga idéia sobre o argumento. O título é difícil à primeira vista, mas parte essencial do conjunto do filme.
Neste filme Godfrey Reggio realizou um documentário que rompe totalmente com os padrões do documentário, já que não tem uma narração verbal, depoimentos de pessoas e nem trama. O filme passa sua mensagem através dos estímulos visuais, utilizando imagens aceleradas ou lentas, combinadas com a trilha sonora.
Dá para dividir o documentário em três situações, primeiro mostra a natureza intocada, então vem a destruição da natureza pelo homem, e por fim mostra o ser humano, a sociedade como um formigueiro, a perda da individualidade, pra então destacar algumas pessoas.
Excluindo a literatura e o teatro de sua produção e ficando apenas com a música, fez-se uma escolha de valorizar os sentidos do receptor ao invés da razão, nada é verbalmente explicado, ao ser absorvido pelo filme a compreensão se torna sensorial, a razão pode ser abandonada que o recado ainda será dado. A trilha sonora é tão fundamental ao filme quanto às próprias imagens. Por se tratar de um filme não verbal, a música (apenas instrumental) assumiu o papel de reforçar o argumento e a intenção sensorial do diretor, nas cenas da natureza a musica é calma e suave enquanto nas cenas de transito a musica fica agitada, assim o som orienta o sentimento do receptor sobre as imagens que lhe são apresentadas.
No começo do filme, na parte dedicada à natureza virgem, as linguagens musical e imagética passam uma impressão de “divino”, grandioso, paisagens inacessíveis, inóspitas ao homem, naturais e perfeitas de mais para a presença humana, mostram uma harmonia e equilíbrio de extrema grandiosidade, impossível de ser quebrada, aqui as paisagens belíssimas funcionam como uma preparação à sensação de catástrofe que esta por vir.
Então a musica e a montagem mudam, os planos e cortes ficam mais rápidos, as imagens e a musica se tornam mais “dramáticas”, apesar de todas as mudanças o equilíbrio ainda se mantêm na ausência humana, mas essas mesmas mudanças dramaticamente anunciam que o homem não demora à aparecer.
A chegada do homem muda tudo, muda o mundo, muda o filme, as paisagens artificiais venceram e substituíram as grandiosas paisagens naturais, a musica e o visual passam uma idéia terrível sobre essa nova condição, são apresentados avanços tecnológicos e suas devidas repercussões, as coisa parecem empilhadas umas sobre as outras. Os planos mudam de maneira dinâmica em direção ao centro da vida humana, a cidade, apresentada caoticamente, em guerra, é mostrado o cogumelo da bomba atômica e diversas cenas de dor e sofrimento causadas e sofridas pelo próprio homem, frisando ao maximo os erros humanos onde a ganância é o grande motor, motor que cria e destrói. Nessa parte do filme a regra é o desequilíbrio, a sociedade humana desequilibrada social e economicamente é representada em oposição ao equilíbrio natural do começo do filme, a idéia é reforçada pela musica e pelos cortes, como em todo o filme.
Planos rápidos, musica frenética. A noite foi muito usada aqui com intenção dramática, os carros acelerados pelas ruas das maiores cidades do mundo parecem borrões de luz correndo por um sistema circulatório de um corpo vivo. O homem passa a ser retratado, primeiro como massa, o espaço publico como um formigueiro, gente demais; gente demais indo porá a mesma direção, para todas as direções, em todo lugar, o homem parece uma epidemia, um vírus que invadiu e conquistou. A vida é previsível, espontaneidade e criatividade foram retiradas do homem. Fala-se do trabalho, da maquina, da rotina mecânica do trabalho humano, o homem programado como uma maquina.
A câmera muda de espectador à próprio agente da ação, quando agente, coloca o espectador na corrida, nos tonteia e quando a sensação se torna insuportável a câmera para na tragédia coletiva, à tragédia de viver. Então alguns seres são destacados, os excluídos da uniformização, lembrando-nos do individual, lembrando que cada uma daquelas pequenas formigas programadas estão em busca da felicidade, agora vemos o homem não mais como um tumor corroendo o mundo, mas como um ser vulnerável, fraco e ambicioso, detentor dessa ganância que nos levou ao desequilíbrio ao caos e infelicidade. Termina assim, reforçando a idéia inicial; o titulo. Koyaanisqatsi também quer dizer: “vida que clama por outra forma de ser vivida”.
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