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Julho 27, 2007
Momento Suicidio
Sempre quis ter muito dinheiro, champanhes caros, suíte presidencial. Dar entrevista, palestra, autografo, receber um Valentino e um Armani por carreio, cortesia da grife, e a escolha entre qual vestido usar seria minha nova preocupação. Ganhar o Oscar, o premio Nobel, o Urso de Prata, o Grammy. Mudar o mundo, acabar com preconceito, diminuir desigualdades, revelar talentos marginalizados, empregar rejeitados, colocar tolerância, amor e respeito na moda. Por isso tudo isso.
Tinha planejado estudar muito nessas férias e voltar super preparada para o segundo semestre da faculdade. Está quase no final das férias, ainda não encostei nos livros, mas hoje entrei em crise. Aceitei um trabalho de férias para passar as madrugadas capturando e exportando vídeos, alem do meu estagio na produtora à tarde.
Agora estou em casa, são 22h00min, acabei de acordar depois de treze horas de sono. Estava há muito tempo sem dormir e praticamente sem comer, e não encontro forças para levantar e comer alguma coisa. Minha casa tem três metros quadrados, uma infiltração e uma goteira, as paredes são revestidas por um reboco que um dia foi revestido por azulejos, alguns ainda sobrevivem. Canos de água saem de buracos nas paredes, muito úteis para se pendurar a bolsa ou o casaco. Duas janelas estilo banheiro abrem como uma veneziana não mais do que 30 graus, as quebradas foram substituídas por papelão e todas, as de vidro e as de papelão, foram pintadas de branco em nome da privacidade. Estou aqui dentro agora, fazem mais de cinco meses que ninguém, alem de mim, entra aqui. Desde março não estou sozinha, Scarlett, uma hamister preta que comprei pra me fazer companhia dorme sobre minha barriga enquanto escrevo. Acho que ela é feliz aqui, se essa gaiola de três metros quadrados for suficiente ela é mesmo feliz, bem, talvez não seja suficiente. Um gato já teria ido em busca de vida melhor e um cachorro provavelmente morreria de depressão ou ficaria louco. Por que meus amigos não vêm me visitar? Às vezes acho esse lugar grande demais, ou talvez seja vazio demais. Meu telefone toca...
Era a minha mãe. Já é a terceira vez hoje, todas as vezes que minha mãe liga me lembro que a única pessoa que me liga é ela. Hoje é quinta feira, domingo o Ricardo me ligou, mas eu não atendi, acordei dez horas da noite e havia três chamadas não atendidas dele, não dormia fazia duas noites e tirei o domingo pra isso. Não sei o que ele queria, acabei esquecendo de retornar. O telefone toca...
Dessa vez era o Daniel, meu chefe. Há alguns minutos mandei msg pedindo pra ele me ligar. Nessa manha saí da produtora sem esperar alguém chegar deixando-a aberta. Às oito horas da manha larguei tudo e fui, tremendo de frio e fraca de fome, trançando as pernas pra casa. Deixei um bilhete que dizia: "Fui embora! Estou à 24h aqui, desmaiando de frio e sem comer". Expliquei e ele disse que estava tudo bem. Meu cansaço físico é grande, mais foi o cansaço mental que me fez surtar. O telefone toca de novo...
Era minha mãe mais uma vez. Minha mãe me ama infinitas vezes mais do que eu me amo, e se somos pessoas completamente diferentes, até opostas, uma coisa eu puxei dela: Não me dou o menor valor, de poucas pessoas gosto menos do que de mim mesma. Dessa vez, no telefone, não consegui manter o ar de "esta tudo bem", minha voz começou a tremer e afinar, até sumir completamente e, quando ela perguntou "O que aconteceu? Esta tudo bem?" o nó na minha garganta se desatou e eu desabei a chorar. Se eu tivesse admitido o meu estado antes e desabafado com a Scarlett, que é ótima ouvinte, talvez não tivesse cometido esse crime e feito minha mãe chorar do outro lado da linha. Desabafei, contei tudo que estava sentindo e, como é a função de toda mãe, ela me deu a maior bronca. Disse que é um absurdo o que estou fazendo com a minha própria vida, que a escravidão já acabou e ninguém pode trabalhar 24h por dia, eu deveria estar numa boate agora, me divertindo e namorando e não chorando sozinha, os meus amigos não me visitam por que eu moro num cortiço horrível e ninguém me liga por que sabe que não adianta nada, e que vão desistir e se afastar, por que ninguém da minha idade quer ficar ao lado de uma velha. Daí ela me fez prometer que ia levantar da cama, me arrumar e ir comer alguma coisa bem gostosa, sem me preocupar com o preço ou ficar com dor na consciência.
Estou na pizzaria que tem na minha rua. Pedi uma pizza brotinho de escarola (R$ 6,90) e enquanto aguardo, escrevo. Alem de mim, tem mais quatro pessoas aqui, dois casais. O primeiro fica o tempo todo se agarrando, trocando beijos e carinhos, o outro esta de mãos dadas conversando. A ultima vez que meus lábios encostaram-se aos de outra pessoa foi em dezembro do ano passado. As ultimas vezes que saí com amigos forcei-me a escolher um novo objeto de meu interesse e a pessoa se interessou por mim também. Houve troca de olhares e comentários ao pé do ouvido com a desculpa da musica estar muito alta. Em todas às vezes "o outro" escolheu um caminho sem volta achando ser o melhor jeito de se aproximar: Criaram um ambiente climatizado na putaria, onde teoricamente todo mundo ficaria com todo mundo e uma hora chegaria a nossa vez. E eu me afastei, sem volta, sem reaproximação, esmigalhada a esperança de que algum dia meu coração volte a bater e a certeza de que a cada ano que passa o vazio no meu peito cresce mais, até o dia em que quem vier falar comigo não vai ouvir resposta, só o eco da própria voz repercutindo de dentro de mim.
Entrou mais um casal na pizzaria, esse acompanhado por uma amiga sozinha que ao passar por mim, testemunhou uma lagrima fugir dos meus olhos e ir de encontro ao papel. Agora ela fica me olhando o tempo todo. Não estou com vontade de chorar, deve ser uma lagrima atrasada, perdeu-se no caminho e ao achar a saída pulou desesperada, evapora sozinha na folha do caderno enquanto as outras estão na manga do meu casaco verde fazendo uma Rave. Não sei por que essa mulher não para me olhar, só por causa da lagrima ou talvez eu esteja com o rosto um pouco inchado. Fazia muito tempo que eu não chorava, e chorar é como todo o resto, quanto menos você faz, mais te marca quando acontece. Se eu pudesse ler pensamentos diria que ela acha que estou escrevendo uma carta de suicídio. Até que não é má idéia, escrever uma carta de suicídio toda vez que eu me sentir assim me trará mais clareza do que deve ser mudado na minha vida.
Por fim à própria vida. Há vários níveis diferentes de se cometer suicídio. Um pequeno suicídio é indicado quando apenas uma pequena parte da sua vida é uma droga: largue o emprego, peça o divórcio, expulse seu filho de casa ou mande seu pai tomar no cu; para este necessita-se de coragem, mas costuma ter resultados positivos no nosso crescimento pessoal. Um médio suicídio é para quando metade da sua vida é uma droga: seja internado, dirija bêbado e chapado, use todas as drogas que puder, faça sexo com todo mundo ou raspe o cabelo; mais conhecido como "Fase Britney Spears" é o mais perigoso, pois não resolve o problema, já que a metade da sua vida que é uma droga é muito grande para ser consertada e a metade que não é também é muito grande para se dela abdicar sem grande sofrimento, fica-se preso eternamente ao suicídio, como pular de um prédio e nunca atingir o chão. Quando toda a sua vida esta uma droga o suicídio deve ser grande, muito grande, drástico, acabe com a sua vida até o ultimo pedacinho dela e passe logo para outra: troque o numero do celular, mude de sexo, de cidade, de país, de continente, e no futuro poderemos até mudar de planeta ou viver no fundo do mar; para este deve-se ter a consciência de que nada da sua vida anterior pode ser levado para a próxima.
Aquelas pessoas que cancelam a conta do Orkut e param de falar com você estão cometendo pequenos suicídios. A pizza chegou...
Julho 12, 2007
Nhaééé?! FESTA DA QUEDA DA BASTILHA!
Nesse sábado, dia 14, a partir das 20:00h, venha perder a cabeça na Casa do Imperador Amarelo!
Haverá o lançamento de “A Louca”, de Del Candeias, e muitos outros livros do mal.
Alem de uma puta festa esquema!
Lançamento dos seguintes livros pelo Selo Demônio Negro:
Ana Rüsche, Sarabanda
Furio Lonza,Um Caderno de Estudos
Sonia Bettencourt, História Impossível
Victor del Franco, Pena y Pluma
Lançamento dos seguintes livros pelo Selo Dix:
Amsterdã SM, de Antonio Vicente Pietroforte
A Louca, de Del Candeias
IMPERADOR AMARELO, rua Itararé, 164; Bela Vista.
Paralela à Frei Caneca, na altura do Shopping.
Flyer:
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COMO DIZ UM AMIGO MEU: BUCETA SO PRESTA PRA BOTAR VIADO NO MUNDO

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